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Alta no preço do leite melhora mercado, mas cadeia segue pressionada

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Alta no preço do leite melhora mercado, mas cadeia segue pressionada
JM ALVARENGA/GADOLANDO/JC

A cadeia leiteira voltou a registrar recuperação de preços em 2026 após um período de forte desvalorização e perda de rentabilidade para produtores e indústrias. O movimento, percebido tanto no campo quanto no varejo, ocorre em meio a uma combinação de demanda mais aquecida, desaceleração da produção e preocupação crescente com custos e importações.

O preço de referência projetado pelo Conseleite RS passou de R$ 2,01 por litro em dezembro de 2025 para R$ 2,53 em abril deste ano, uma alta próxima de 25,5% no período. No atacado, o leite UHT no Rio Grande do Sul também registrou valorização relevante. Levantamento do Cepea mostra que o litro passou de R$ 3,02 em janeiro para R$ 4,14 em março de 2026. Apesar da recuperação, o valor ainda ficou abaixo dos R$ 4,36 registrados em março de 2025. 

Levantamento realizado pelo Jornal do Comércio em quatro supermercados de Porto Alegre nesta sexta-feira (8) encontrou o litro do mesmo leite UHT integral entre R$ 4,95 e R$ 5,49.

Sócio da MilkPoint, plataforma nacional de inteligência e análise da cadeia leiteira, Valter Galan afirma que o mercado vive atualmente um cenário de demanda aquecida e produção desacelerando, o que ajuda a explicar a alta recente dos preços. Segundo ele, os lácteos começaram o ano mais baratos no varejo em relação a 2025, estimulando o consumo das famílias.

“A demanda está crescendo e a produção está desacelerando. Então, por isso, houve uma subida forte de preços nesse começo de ano”, afirma.

De acordo com Galan, as vendas da cesta de lácteos cresceram entre 4% e 5% em volume no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. Na avaliação do especialista, a queda de preços observada no segundo semestre de 2025 reduziu fortemente a rentabilidade do produtor e passou a impactar a produção neste ano.

“A gente entrou esse ano com uma produção desacelerando em relação ao ano passado”, afirma.

Segundo Galan, o comportamento do segundo semestre deve ser mais próximo ao observado em 2024, quando houve estabilidade ou queda leve nos preços pagos ao produtor, e não das retrações mais fortes registradas em 2023 e 2025. “Talvez tenhamos uma baixa, mas não uma baixa tão pronunciada como em outros anos”, projeta.

A cautela do setor também está ligada ao avanço das importações de lácteos. Dados compartilhados pelo Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat) mostram que o Brasil importou 96,4 milhões de quilos de lácteos entre janeiro e abril de 2026, acima dos 90,9 milhões registrados no mesmo período do ano passado.

Somente em abril, as importações passaram de 19,5 milhões para 25,4 milhões de quilos na comparação anual. Segundo o secretário-executivo do Sindilat RS, Darlan Palharini, a maior entrada de produtos do Mercosul ajuda a limitar uma recuperação mais intensa dos preços no mercado brasileiro.

O dirigente afirma que o setor chegou a registrar promoções de leite UHT abaixo do custo de produção no início do ano, em meio ao excesso de oferta e à dificuldade de exportação dos países vizinhos. “Teve situações no início do ano com promoções de leite até R$ 1,99”, afirma.

Segundo Palharini, as margens seguem apertadas em todos os elos da cadeia, desde o produtor até indústria e varejo.

Outro fator monitorado pelo mercado é o clima. De acordo com Galan, a possibilidade de formação de um evento El Niño pode trazer impactos para a produção de leite e também para milho e soja, elevando os riscos para os custos de alimentação do rebanho no segundo semestre.

A expectativa da cadeia agora é entender se a recuperação observada em 2026 representa o início de um reequilíbrio mais consistente entre oferta e demanda ou apenas uma recuperação temporária após um período prolongado de desvalorização.

FONTE: Jornal do Comercio

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